Entre clausuras de luz e sombra, o espelho revela mais que formas — desvela a carne das dúvidas.
Quem somos além do reflexo domesticado? A pele que vestimos é armadura ou mortalha?
Na autofagia cotidiana, consumimos poses, filtros, silêncios.
Mas sob o verniz, pulsa o não dito: a fome de ser inteiro, mesmo nas fissuras.
Quebrar o espelho é romper com o distante dentro de nós —
aquele que nega a própria escuridão para caber no enquadre do mundo.
Leonid R. Bózio, primeiro dia após a instauração da ditadura no Brasil, março de 2025, anno Domini.